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FÁTIMA : Poema do Mundo * António Botto
[edições QUASI]

FÁTIMA : Poema do Mundo * António Botto

FÁTIMA António Botto Edição, Cronologia e Introdução de Eduardo Pitta Br., 76p., 160x235, Edições QUASI, Vila Nova de Famalicão 2008 Em 1955, António Botto publicou Fátima. Poema do Mundo. Fê-lo no Brasil, no âmbito do XXXVI Congresso Eucarístico, o que dá a medida da profunda crise de religiosidade que o acompanhou nos últimos anos de vida. Se nos lembrarmos que a reunião dos seus contos para a infância, em 1942, assumira o beneplácito explícito da hierarquia da Igreja — «Aprovados em Portugal por Sua Eminência o Cardeal Patriarca», lê-se no frontispício do volume —, Fátima surge como corolário dessa revisão de vida e obra. Com efeito, neste poema, o esteta sensualista de Pequenas Esculturas (1925) dá lugar ao crente face à expiação, alguém que, vamos supor, tendo lido Heidegger, sabe que o homem «não está apenas carregado de erros, está em falta». Também do ponto de vista formal a mudança foi nítida, uma vez que Fátima cede às exigências da métrica tradicional. Refira-se, a título de curiosidade, que o autor assinou a obra como António Boto, com supressão do duplo t, como optara por fazer desde que em 1947 se expatriou no Brasil. António Botto nasceu no Casal da Concavada a 17 de Agosto de 1897. Em consequência de atropelamento, morreu no Rio de Janeiro a 17 de Março de 1959. Contemporâneo de Fernando Pessoa e José Régio, é um dos mais importantes poetas portugueses do século XX. Escreveu poemas, contos e peças de teatro. A segunda edição das Canções foi apreendida pela polícia em 1922. Em 1942, acusado de falta de “idoneidade moral”, eufemismo para a sua declarada homossexualidade, foi expulso da função pública. A crise de fé que o acompanhou nos últimos anos de vida reflectiu-se na assunção de um catolicismo exacerbado, de que é exemplo Fátima. Poema do Mundo, publicado em 1955 no âmbito do XXXVI Congresso Eucarístico. Tendo vivido no Brasil a partir de 1947, nunca cortou as raízes com Portugal. Eduardo Pitta nasceu em 1949. É poeta, romancista, ensaísta e crítico literário. Nas Quasi publicou Metal Fundente (2004), Os Dias de Veneza (2005) e Intriga em Família (2007). Entre outros, é autor do ensaio Fractura (2003), que Mark Sabine considerou “the first history of Portuguese literary homosexuality”. Dirige a colecção de obras completas de António Botto.

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